A Eletrobras divulgou o resultado financeiro de 2024, consolidando o processo de transformação e ganhos de eficiência iniciados com a privatização em 2022. O lucro anual de R$ 10,4 bilhões foi 136% superior ao registrado no ano anterior. O Conselho de Administração aprovou a maior distribuição de remuneração aos acionistas da história. São R$ 4 bilhões em dividendos ─ considerando os dividendos intercalares pagos de R$ 2,2 bilhões ─ referentes a 41% do resultado do exercício de 2024.
Num trimestre de sólido desempenho financeiro, o lucro líquido de R$ 1,1 bilhão foi 24% superior ao mesmo período de 2023 (4T23). O EBITDA regulatório, que indica uma aproximação do resultado das operações de uma empresa, cresceu 91%, enquanto a receita bruta chegou a aproximadamente R$ 14 bilhões no 4T24.
“A Eletrobras é hoje uma empresa focada em conquistar clientes e catalisar negócios a partir de uma energia limpa e renovável. Nosso objetivo é acelerar ainda mais os ganhos de eficiência e segurança dos ativos para oferecermos retornos sustentáveis ao longo do tempo", afirma o presidente da Eletrobras, Ivan Monteiro.
Com o desenvolvimento de soluções adaptadas às demandas do cliente, a Eletrobras avançou ainda mais na estruturação da sua área de comercialização, com um time dedicado, atuando de forma integrada e orientada ao mercado com processos robustos. As iniciativas resultaram na ampliação contínua da base, que chegou a 751 clientes, sendo 660 no mercado livre de energia, um aumento de 65% em relação ao 4T23.
A retomada de investimentos teve destaque em 2024, chegando a R$ 7,7 bilhões, com ênfase na modernização das usinas hidrelétricas e na gestão desses ativos, assim como nos reforços e melhorias de linhas de transmissão. São 234 projetos de reforços e melhorias de grande porte em transmissão, com investimentos de R$ 3,3 bilhões, contribuindo com a segurança energética do país. O foco em resiliência e eficiência operacional também marcou a participação da empresa nos leilões promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), onde foram arrematados quatro lotes com investimentos estimados de R$ 5,6 bilhões.
Os investimentos da companhia priorizam projetos como as obras de revitalização do sistema de transmissão em corrente contínua de alta tensão (HVDC) de Itaipu, com investimentos estimados em R$ 1,9 bilhão; e a Transnorte Energia, linha de transmissão de 724 km que conecta Manaus a Boa Vista, integrando o estado de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), e tem investimentos previstos de R$ 3,3 bilhões. Com operação comercial iniciada em julho de 2024, o parque eólico de Coxilha Negra, localizado no Rio Grande do Sul, tem investimentos previstos de R$ 2,4 bilhões e terá capacidade de 302 MW.
A gestão da carteira de participações societárias registrou avanços significativos com a estratégia de descruzamento de ativos, otimização de participações minoritárias, melhoria da alocação de capital e simplificação da estrutura societária. Foram R$ 14,8 bilhões em alienações e R$ 5,7 bilhões em aquisições desde junho de 2022, tendo como objetivo melhorar a alocação de capital, a governança e a rentabilidade do portfólio de ativos.
A transformação da Eletrobras também passa pelo aprimoramento da gestão de custos e riscos. Em 2024, houve redução de cerca de R$ 4 bilhões nos empréstimos compulsórios, número que chega a R$ 12,5 bilhões se considerada a gestão de passivos desde 2022. As despesas com Pessoal, Material, Serviços e Outros (PMSO), tiveram redução de 18% desde 2022. A gestão de pessoas teve avanços decisivos com a aprovação do acordo coletivo de trabalho em todas as bases do Brasil e a vinculação da remuneração dos profissionais ao desempenho da empresa, com salários alinhados ao mercado.
A gestão financeira da companhia também passou por completa revisão e padronização, com diversificação das fontes de captação, ampliação e adequação dos vencimentos das dívidas. O ano de 2024, que se encerrou com elevada liquidez, foi marcado por importantes operações financeiras que posicionam a companhia de forma mais competitiva para o futuro, através da captação de recursos de cerca de R$ 32 bilhões no mercado nacional, internacional, bancos e agências de fomento à exportação.
A Eletrobras criou em 2024 o Comitê de Sustentabilidade para assessorar o Conselho de Administração, contribuindo para a otimização de estratégias para um desenvolvimento sustentável e a geração de valor para a sociedade e o meio ambiente. A companhia expandiu parcerias com a assinatura de memorandos de entendimento que envolvem a pesquisa e o desenvolvimento comercial de hidrogênio verde e teve suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa validadas, em conformidade com os padrões e diretrizes do Science Based Targets initiatives (SBTi).
De acordo com o CEO da Eletrobras, Ivan Monteiro, em 2025 a Eletrobras seguirá investindo em ritmo elevado e ampliará os esforços para que o foco em clientes ganhe relevância em suas operações. Segundo ele, a consolidação das transformações pós-privatização permitirá que a gestão da empresa dê ênfase cada vez maior no crescimento e ganhos de eficiência nos próximos anos.